quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Dejetos e rotina de estupros no cotidiano do Haiti

Ao desembarcar no pequeno país de pouco mais de 9 milhões de pessoas, o sinal das companhias de telefônicas com os dizeres "bem-vindo ao Caribe" não retrata em nada o cenário de devastação que tomou conta da pequena ilha do Haiti um ano depois do terremoto que a assolou em 12 de janeiro de 2010.
 
No aeroporto internacional Toussaint L'Ouverture, os escombros ainda mancham a paisagem empoeirada. Mais de 20 milhões de metros cúbicos de restos de construção - volume suficiente para encher 8 mil piscinas olímpicas - disputam espaços com dejetos, porcos e uma população maltrapilha de 1,5 milhão de desabrigados e desalojados.
 
Um ano depois da pior tragédia natural registrada pelas Nações Unidas desde sua fundação, em 1945 - e que matou cerca de 230 mil haitianos e estrangeiros - o Haiti permanece sob instabilidade política, sem nenhum tipo de instituição sólida e refém de ações humanitárias de organizações não-governamentais, doações sem regularidade e de soldados de uma entidade - a Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah) - criada em 2004 para lhe tentar colocar rédeas.
 
A segurança local depende primordialmente dos militares estrangeiros da Minustah - 8,5 mil deles trabalham para manter a "paz, estabilidade e segurança" da população e treinam a pequena e instável Polícia Nacional do Haiti (PNH). Foi este contingente de policiais haitianos que, se não dizimados pelo terremoto de 2010, ajudaram a incitar a população de Cité Soleil, maior favela da região, a fazer justiça com as próprias mãos e garantir que os donativos recebidos da comunidade internacional não fossem roubados uns dos outros.
Os estupros são recorrentes nos acampamentos de desabrigados. Mais de uma família divide o mesmo barraco de lona de acampamento, homens e mulheres de todas as idades se banham juntos nas ruelas de pedregulho. Vítimas dos abusos, as mulheres são inibidas de procurar socorro da polícia local, que pode ser a próxima algoz de sua intimidade.

Subnutridos e com o menor Índice de Desenvolvimento Humano das Américas, os haitianos ora recebem doações nos campos de sem-teto ora recorrem à cozinha do inferno - apelido dado ao mercado municipal Les Salines - como sua principal fonte de alimentação. No mesmo ambiente disputam espaço porcos, cabras, crianças carentes e um sem-número de vísceras frescas que formarão, assim que abatidos os animais para a refeição, fogueiras mal-cheirosas por todo o ambiente.
Para chegar ao Les Salines ou conseguir uma doação das centenas de ONGs que atuam em Porto Príncipe, os haitianos recorrem aos "tap-tap", veículos com carrocerias coloridas improvisadas que transportam dezenas de passageiros em baixas condições de segurança e lotação acima de qualquer limite imaginável. As raríssimas placas de trânsito são ignoradas solenemente por toda a população, que recorre, via de regra, ao buzinaço como linguagem universal para consolidar o princípio básico do ir e vir.

Desde o início da missão dos militares da Minustah, o Haiti já passou por ameaças de revolução, embates entre soldados e gangues resultantes de milícias e, nos últimos tempos, não tem deputados com mandatos ou um quadro de senadores completo. Ainda que com avanços modestos, registro civil, registro de terra, direito à propriedade ou marco regulatório para negócios são metas em um horizonte um tanto obscuro para a população que foi a primeira a declarar o fim da escravidão de negros, em 1804, mas que até hoje parece imersa em um filme de terror.

Fonte: Laryssa Borges - Portal Terra

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Guiné - Missionário Batista é morto em ritual

O pastor Michel Loua, 47, nascido em Jacksonville, Texas, foi executado no domingo à noite, 14 de novembro em uma prisão em Guiné, oeste da África. Líderes da igreja chamam sua morte de mártir moderno nesse país de predominância islâmica (85%).


Um novo mártir - De acordo com o artigo de Charles Johnson no jornal Gilmer Mirror, Michel e sua família vieram dos Estados Unidos há quatro anos para participar de um seminário em preparação de evangelizar sua terra natal. Johnson diz que Michel era graduado em Seminário Teológico na Associação Missionária Batista (tradução livre, AMB) em Jacksonville. Ele foi o primeiro a conseguir tal nível de escolaridade em teologia em Guiné.
Michel fez pelo menos quatro viagens de volta à Guiné para verificar as condições da igreja e fazer as preparações para retornar à terra natal com sua família.
Em uma dessas viagens, ele construiu uma casa com quartos para hospedar e ensinar obreiros locais no trabalho de divulgação.
Johnson relata que o pastor não era um estranho no distrito de Upshur. Ele e sua família ingressaram na Igreja Batista Rosewood em dezembro de 2008 onde pregou várias vezes e contribuiu para um avivamento no início de 2008.
O cristão voltou à Guiné pela última vez em junho desse ano. Aparentemente se envolveu na campanha das eleições presidenciais que aconteceriam uma semana antes de sua execução. Havia várias lutas, especialmente entre grupos islâmicos e cristãos. Ele ficou preso por três semanas na prisão da capital da Guiné.
Johnson cita, pelo menos, duas notícias do serviço africano que afirmam que o presidente da Guiné enviou soldados à prisão para oferecer Michel Loua como um sacrifício humano e reforçar a liderança do presidente. Ele escreve que segundo a crença muçulmana do país, era necessário matar um infiel (não muçulmano) para garantir o sucesso da nova liderança. Michel foi torturado, baleado no coração e seu corpo mutilado. Johnson acrescenta que Michel nasceu e foi criado como muçulmano. Ele se converteu a Cristo aos 22 anos. Depois de aceitar Jesus Cristo como seu Salvador, enfrentou perseguição imediata de sua própria família. Sua cabeça tinha uma cicatriz profunda de um apedrejamento inicial de parentes depois de sua conversão. Houve inúmeras ameaças de morte ao pastor desde 1985.
Foi fundamental Michel ter iniciado a evangelização de muçulmanos na Guiné para ajudar a estabelecer pelo menos uma dezena de igrejas em seu país. Mesmo antes de possuir uma Bíblia, ele levou concidadãos para Cristo usando versos do Corão, que falava de Jesus.

A família - Os sobreviventes da família Loua incluem sua esposa Elisabeth, com quem era casado há 15 anos, um filho, Joal, 14, duas filhas: Débora, 12, e Maria, de 4 anos. Elisabeth também está esperando o nascimento de seu quarto filho em cerca de três semanas que deve ser chamar Michel.
Um culto em memória de Michel Loua foi realizado terça-feira, 23 de novembro, na Igreja Batista Woodland Heights em Jacksonville, onde várias pessoas da região estavam presentes. Pelo menos dois fundos foram criados para ajudar a ajudar a família Loua.


Publicado em Portas Abertas
Tradução: Yara Ferreira

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A poderosa Palavra de Deus - Testemunhos dos Gideões Internacionais


Na Convenção Internacional dos Gideões realizada em julho/2008, na cidade de Louisville, Kentucky/EUA, o mesmo local onde o Ministério iniciou a colocação de Bíblias nos hotéis em 1908, alguns testemunhos foram compartilhados e estão reproduzidos aqui para a nossa edificação:

O SENHOR PODE ME APRESENTAR AO DR. JESUS?” - Testemunho da Índia
Essa pergunta foi feita a um pastor na Índia. O jovem rapaz que fez a pergunta, mora em uma cidade onde uma forte epidemia de gripe havia chegado. Seu pai contraiu a infecção e estava perdendo a visão de ambos os olhos. Os Gideões haviam distribuído recentemente Novos Testamentos na escola para rapazes e ele começou a ler o seu NT. Ele leu o milagre de Jesus curando o cego de Bartimeu em Marcos 10 e ficou surpreso com a história. Ele pegou seu NT e levou para o pastor mais próximo e pediu para ser apresentado ao “Dr. Jesus”. O pastor ministrou para esse rapaz e orou com ele para que Deus curasse a visão física do seu pai e abrisse os seus olhos espirituais. Deus curou a visão do pai e o jovem rapaz foi para a faculdade e hoje é um pastor na Índia.

“LOUCOS” PELA PALAVRA DE DEUS - Testemunho da Venezuela
Um adolescente na Venezuela começou usar drogas e roubar das pessoas para comprar mais drogas. Quando sua família tentou impedi-lo, ele ficou violento. Agrediu sua mãe muitas vezes e foi levado para a prisão. Mais tarde, foi levado para um hospital psiquiátrico. Os Gideões visitaram o hospital um dia e deram ao jovem rapaz um NT. Ele começou a ler regularmente. Durante uma consulta ele contou para o médico tudo sobre Jesus. Não sendo cristão, o médico pensou que a cabeça do rapaz estava piorando e disse que ele nunca sairia do hospício. Finalmente, o adolescente teve a chance de se consultar com um outro médico. Este constatou que o rapaz estava bem. Ele teve alta do hospício e começou a estudar em um Instituto Bíblico. Hoje ele é pastor. Surpreendentemente, o primeiro médico, que pensou que o rapaz não tinha solução, ouviu sobre a nova vida do adolescente e ficou pensando o que poderia tê-lo mudado tão drasticamente. Ele começou a ler o NT que havia recebido dos Gideões e também entregou sua vida a Cristo e agora é um missionário.

ELE NÃO PÔDE ESCAPAR DA PALAVRA DE DEUS - Testemunho de Madagascar
Um prisioneiro que ganhou um Novo Testamento dos Gideões começou a rasgar as páginas e jogar para fora da janela de sua cela. Com o vento, as folhas começaram a voar de volta para a janela da cela. Surpreso, esse prisioneiro colocou uma das páginas no seu bolso. Mais tarde, ele pegou a página e leu João 3:18, “Quem crê nele não é condenado...” O prisioneiro queria saber mais, mas havia rasgado o seu Novo Testamento. Então, pegou outro NT de um colega prisioneiro. Ele leu, se entregou para Deus e foi salvo.

O HOMEM MAIS FELIZ DO MUNDO - Testemunho do Líbano
Um homem de 30 anos, no Líbano contraiu uma doença no sangue. As duas pernas, uma das mãos e parte da outra mão tiveram que ser amputadas. Mas, ainda tinha a doença. Ele entrou em depressão e estava pronto para acabar com a sua vida. No entanto, os Gideões trouxeram um Novo Testamento enquanto ele estava no hospital. Ele leu e orou a Deus, pedindo cura. Deus o curou da doença e agora, ele está muito feliz casado. Seus médicos disseram que ele não poderia ter filhos, mas Deus presenteou-o com filhos também. Hoje, ele é um Gideão e diz, “Eu sou o homem mais feliz do mundo.”

A BÍBLIA QUE ELA IA QUEIMAR, COLOCOU FOGO NO SEU CORAÇÃO - Testemunho da Tailândia
Uma jovem moça, que era conhecida como um profunda e convicta muçulmana, estava viajando e visitou um hotel em Bangok. Ali, ela encontrou uma Bíblia dos Gideões. Ela a colocou na sua bagagem com intenção de queimá-la mais tarde. Ela esqueceu da Bíblia por algum tempo, mas um dia ela a pegou e começou a ler. Essa jovem moça foi salva e agora, é uma evangelista e líder do ministério de avivamento.



SAIBA MAIS SOBRE OS GIDEÕES: http://portal.gideoes.org.br/ 

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Guardadores de bagagens

Em I Samuel, capítulo 30, versos 1 a 25, temos uma lição especial. Aprendemos que todos podem contribuir para vitória, mesmo que o trabalho que fazem não pareça importante nem seja divulgado.

Diz o texto sagrado que duzentos homens da tropa de Davi não puderam continuar uma perseguição aos amalequitas por estarem exaustos demais (verso 10, NVI). Ficaram antes do ribeiro com as bagagens dos demais soldados. Com quatrocentos homens restantes Davi venceu a batalha, libertou cativos, recuperou o que foi saqueado e trouxe muitos despojos.

Alguns soldados de baixa índole sentiram-se ofendidos com a idéia de que os guardadores de bagagens pudessem ser participantes do prêmio pela vitória. Davi, com extrema sabedoria diz "quem ficou atrás com a bagagem deve receber o mesmo que aquele que lutou na batalha (verso 24, TLH)"  e a partir de então isso virou decreto (veja também Números 31:26-27).

Na tarefa missionária nem todos podemos ir ao front pelos mais variados motivos, todavia, como parte do mesmo exército podemos fazer alguma coisa: cuidar das bagagens de quem está na luta.

O Espírito Santo vocaciona, revela e envia através da igreja missionários para o mundo todo e muitos destes deixam para trás uma vida confortável e segura para se exporem a riscos de todo o tipo em nome do Evangelho. A igreja que aqui fica guarda suas bagagens contribuindo para o sustento de missões e missionários, orando incessantemente por suas vidas e por seu trabalho para que nunca desvaneçam mesmo quando o resultado não é visto imediatamente, apoiando com palavras, cartas, emails, fotos e vídeos que transmitam a certeza de que o missionário não está só mas que toda a igreja o acompanha. Por vezes o enviado precisa tanto ouvir uma só palavra de ânimo e coragem. É sua bagagem emocional que está pesada e como guardadores, cada um de nós pode ser canal de Deus para levantar e esforçar o servo que luta.

O mais interessante é que o galardão do missionário que vai é exatamente igual ao missionário que guarda a bagagem. Note bem, do MISSIONÁRIO que fica guardando a bagagem e há diversas formas de ser missionário: o que é enviado e vai, o que ora, o que contribui, o que fomenta missões, o que apóia direta e constantemente etc.

Pense nisto e se aliste nesse exército. Pode ser que seu trabalho não esteja estampado nos jornais nem apareça nos boletins de sua igreja, mas diante do General Jesus, sua contribuição vigilante, fiel, constante, terá uma recompensa.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

O Semeador e o Ceifeiro

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Semeei a semente, sim, na primavera
Reguei-a com lágrimas, choro e dor
Mas outro, talvez, ceifará o meu trigo
Com gozo trazendo ao Senhor

Vez, após vezes a minha alma sente
Angústia e o choro do semeador!
Mas o que semeia, tanto como o que ceifa
Terão recompensa das mãos do Senhor!

O ceifeiro recolhe com gozo os frutos
Nem sempre  sabendo a dor que custou
Para quem trabalhou tanto no sol ou chuva
E com paciência, a semente plantou!
 


Intérprete: Ozéias de Paula
Álbum: Cem Ovelhas (1973)

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Irã - Pastor acusado de apostasia é sentenciado à morte


O pastor cristão Yousef Nadarkhani foi acusado de apostasia, o que implica na sentença de morte no Irã.

Autoridades dizem que ele seria executado no domingo, dia 24 de Outubro. Sua esposa foi sentenciada a
prisão perpétua.

Youcef liderava uma das maiores comunidades protestantes iranianas e foi marcado por converter muçulmanos a Cristo.

Ele foi preso no começo do mês após a negar a decisão de autoridades locais que o forçava a ler a Alcorão a crianças cristãs.

No domingo, cristãos e ativistas dos Direitos Humanos ainda apelavam pela liberdade do casal.

Tradução: Carla Priscilla Silva

FONTE: Notícias Cristãs com informações do Portas Abertas via CBN.News

Veja lista de prisioneiros cristãos (em inglês) AQUI
Ore pela vida e pelas famílias dos missionários no mundo inteiro, especialmente nos países  intolerantes ao Evangelho.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Afeganistão: a cultura do abuso sexual

Foto BBC
As mulheres no Afeganistão são proibidas de dançar em público, mas garotos são obrigados a dançar vestidos de mulher, e muitas vezes sofrem abuso sexual.

Em uma festa de casamento em um vilarejo remoto no norte do país, após a meia-noite, não há sinais dos noivos, nem de mulheres, apenas homens. Alguns deles estão armados, alguns tomam drogas.


A atenção de quase todos está sobre um garoto de 15 anos, que dança para o grupo em um vestido longo e brilhante, com sua face coberta por um véu vermelho.

Ele usa seios postiços e sinos presos aos calcanhares. Um dos homens oferece a ele algumas notas de dólar americano, que ele pega com os dentes. Esta é uma tradição antiga, chamada bachabaze, que significa literalmente "brincando com garotos".

O mais perturbador é o que acontece após as festas. Com frequência, os meninos são levados a hotéis e sofrem abusos sexuais. Os homens responsáveis pela prática são comumente ricos e poderosos.

Alguns deles mantêm vários bachas (meninos) e os usam como um símbolo de status, como uma demonstração de sua riqueza.

Os meninos, alguns deles ainda pré-adolescentes, são normalmente órfãos de famílias muito pobres.

FOME
A reportagem da BBC passou vários meses tentando encontrar um garoto que se dispusesse a falar sobre sua experiência. Omid (nome fictício) tem 15 anos. Seu pai morreu trabalhando no campo, ao pisar sobre uma mina.

Como filho mais velho, ele é responsável por cuidar de sua mãe, que mendiga pelas ruas, e de dois irmãos mais jovens. "Comecei a dançar em festas de casamento quando eu tinha 10 anos, quando meu pai morreu", ele conta.

"Estávamos passando fome, então não tive escolha. Às vezes temos que dormir de estômago vazio. Quando eu danço em festas, ganho uns US$ 2 ou um pouco de arroz", diz.

Questionado sobre o que acontece quando as pessoas o levam aos hotéis, ele baixa a cabeça e faz uma longa pausa antes de responder.

Omid diz que recebe cerca de US$ 2 pela noite, e que às vezes sofre abusos sexuais de vários homens.

Ele diz que não pode recorrer à polícia por ajuda. "Eles são homens poderosos e ricos. A polícia não pode fazer nada contra eles", diz.

A mãe de Omir tem pouco mais de 30 anos, mas seu cabelo é branco e seu rosto enrugado. Ela parece ter pelo menos 50. Ela conta que tem apenas um quilo de arroz e algumas cebolas para o jantar, e que não tem mais óleo para cozinhar.

Ela sabe que seu filho dança em festas, mas ela está mais preocupada sobre o que eles vão comer no dia seguinte. O fato de que seu filho está vulnerável aos abusos está longe de sua mente.

GOVERNO AUSENTE
Poucas foram as tentativas das autoridades locais de combater a tradição do bachabaze. Muhammad Ibrahim, chefe-adjunto da polícia na província de Jowzjan, nega que a prática continue.

"Não tivemos nenhum caso de bachabaze nos últimos quatro ou cinco anos. Isso não existe mais aqui", garante. "Se encontrarmos algum homem fazendo isso aqui, vamos puni-lo", afirma.

Mas de acordo com Abdulkhabir Uchqun, um deputado do norte do Afeganistão, a tradição não apenas se mantém, como também está em crescimento. "Infelizmente isso está aumentando em quase todas as regiões do Afeganistão. Eu pedi a autoridades locais que atuassem para interromper essa prática, mas eles não fazem nada", diz. "Nossas autoridades estão muito envergonhadas para admitir até mesmo que isso exista", afirma.

O Islã também não tolera a prática, segundo o Grande Mulá do santuário de Ali em Mazar-e Sharif, o lugar mais sagrado do Afeganistão. "O bachabaze não é aceitável no Islã. Realmente, é abuso infantil. Isso está acontecendo porque nosso sistema de Justiça não funciona", afirma.

"O país tem estado sem lei por muitos anos, e os órgãos responsáveis e as pessoas não conseguem proteger as crianças", diz.
Os garotos dançarinos são recrutados ainda bem jovens por homens que passeiam pelas ruas procurando garotos afeminados entre grupos pobres e vulneráveis. Eles normalmente oferecem dinheiro e comida a eles.

DIREITOS HUMANOS
A Comissão Independente de Direitos Humanos, em Cabul, é uma das poucas organizações que tentou combater a prática do bachabaze. O diretor da organização, Musa Mahmudi, diz que ela é comum em várias partes do Afeganistão, mas diz que nunca houve estudos para determinar quantas crianças sofrem abusos em todo o país.

Ele aponta para a rua em frente ao seu escritório para mostrar como é difícil proteger as crianças no país. As ruas do Afeganistão estão cheias de crianças que trabalham. Elas engraxam sapatos, mendigam, juntam garrafas plásticas para vender. Elas se dispõem a fazer qualquer trabalho para ganhar algum dinheiro, diz Mahmudi.

Todos os afegãos com os quais a reportagem da BBC falou sabiam sobre o bachabaze. Muitos afirmavam que ele só existe em áreas remotas. Mas a reportagem acompanhou uma festa noturna em uma área antiga de Cabul, a menos de 500 metros do palácio de governo. Lá, Zabi (nome fictício), um homem de 40 anos, se disse orgulhoso de ter três garotos dançarinos.

"Meu bacha mais novo tem 15 anos, e o mais velho tem 18. Não foi fácil encontrá-los. Mas se você fizer um esforço, pode encontrá-los", ele diz.

Zabi diz que tem um bom emprego e que dá dinheiro a eles. "Nós temos um círculo de amigos próximos que também têm bachas. Às vezes nos encontramos e colocamos roupas de mulher e sinos para dança nos nossos bachas e eles dançam para nós por duas ou três horas. Isso é tudo", afirma.

Ele diz que nunca dormiu com um dos garotos, mas admite que os abraça e beija. Mesmo ao ser questionado se isso também não é errado, ele diz: "Algumas pessoas gostam de briga de cachorros, outros de briga de galos. Todos têm seu hobby. O meu é bachabaze".

Quando a festa termina, às 2h da manhã, um adolescente ainda está dançando e oferecendo drogas aos homens à sua volta. Zabi não é especialmente rico ou poderoso, mas ainda assim tem três bachas. Há muitas pessoas que apoiam essa tradição em todo o Afeganistão, e muitas delas são influentes.

O governo afegão não é capaz --e muitos dizem que também não tem interesse-- de combater o problema. O governo está enfrentando um movimento de insurgentes, com a permanência de tropas estrangeiras no país. O sistema judicial é fraco e a pobreza é generalizada. Milhares de crianças estão nas ruas tentando ganhar dinheiro. O bachabaze não é prioridade.

Publicado na edição On Line da Folha de São Paulo, 09/09/2010.
Foto: Care2

Oremos por essa nação tão atribulada. Atualmente, o Afeganistão é um dos países menos alcançados do mundo pelo Evangelho. Existem 48 mil mesquitas e nem um único prédio de igreja, nem mesmo uma comunhão de crentes. Pouco esforço tem sido divulgado no sentido de ajudar esse pobre país.

Saiba mais:
O Chamado e o Ide

Evangeliza Brasil (AMME)

Portas Abertas

Esperança e Fé (Marconi Pimenta)
Care2 (em inglês) - Documentário sobre os Bacha Bazi

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Khadafi quer que o Islã seja a religião oficial da Europa

Agencia France Press

O ditador líbio Muamar Khadafi defendeu nesta segunda-feira (30/8) que o islã seja transformado na "religião de toda a Europa" durante um discurso para 500 mulheres em Roma, onde está em visita oficial, informou a mídia italiana.

Depois da palestra, cada jovem recebeu 80 euros e uma cópia do Alcorão.

Kadhafi explicou que "o islã deve se transformar na religião de toda a Europa, e Maomé era o último profeta", segundo uma das participantes, citada pelo jornal Stampa.

"Para nós foi realmente tedioso. Kadhafi não sabia que haviam nos pagado, senão não teria aceitado o encontro", revelou ao Republica uma das mulheres, de 25 anos, que pediu o anonimato.

A agência que recrutou as mulheres pediu que se vestissem de maneira sóbria, e indicou que aquelas que falariam com a imprensa não seriam pagas.

Kadhafi chegou a Roma no domingo.

Fonte: Correio Braziliense

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Brasileiro detido no Egito por portar uma Bíblia

Renata Giraldi - Repórter da Agência Brasil (agência noticiosa estatal)

Brasília – Um brasileiro, que trabalha como guia turístico, foi preso hoje (24/08) no Cairo (Egito) acusado de proselitismo religioso – propaganda e convencimento. A prática é considerada crime pelo governo egípcio, cuja maioria da população é muçulmana. Informações preliminares indicam que o brasileiro foi flagrado com uma Bíblia e material religioso cristão.

O Ministério das Relações Exteriores e o Itamaraty acompanham o assunto. Diplomatas, no Egito, tentam o contato com o brasileiro, cuja identidade ainda não é conhecida, para verificar se ele precisa de algum tipo de apoio e se está assistido por um advogado.

De acordo com a assessoria do Ministério das Relações Exteriores, o brasileiro vive há algum tempo no Egito e trabalha como guia turístico. Ele foi detido com duas brasileiras. Mas as mulheres foram liberadas logo depois da prisão.

Saiba Mais: Cristianismo Radical